
Quem passou a última virada do ano comigo, lembra bem - ou não... - que eu gritei no microfone que em 2011 meu irmão seria tio. Não sei porque cargas d'água cismei de repetir aquilo a noite toda. Na verdade, eu já arriscava há algum tempo, mas depois de decidir mudar o rumo da minha vida profissional e tentar um mestrado fora do país, os planos ficaram pra depois. Mas aí, na noite do reveillon, muita bebida na cuca, eu cismei: "Vou ser mãe em 2011!". Depois dei vexame, briguei com o DJ e fui dormir. Mas que boquinha... Em março, peguei o avião já grávida para estudar em NY. E, claro, voltei correndo. Essa história todo mundo já sabe também. Foram vômitos e mais vômitos, hospital, médicos, até eu me convencer que deveria estar ao lado das pessoas que eu amava naquele momento e não sozinha do outro lado do mundo.
Bem, sozinha é modo de dizer. O Bento já estava ali comigo. E mesmo sem saber o sexo ainda, eu já sabia que ele era o Bento. Na verdade, desde o dia que descobri a gravidez, eu dizia que seria um homenzinho. Sentia. E, mesmo contrariando o pai dele - que achava um absurdo eu já chamar a criança pelo nome se eu nem sabia o que era - já conversava com ele. E como conversamos naqueles tempos sozinhos, só nós dois. A cumplicidade entre mãe e filho já nascia ali. Num mundo diferente, onde já tínhamos que tomar importantes decisões. E eu dizia "Bom dia Bento! hoje vamos passear no Central Park" ou "Bento, hoje mamãe não aguenta nem botar o nariz na rua. Muito enjoada" ou "Desculpa, meu filho, se estou insistindo muito e te sacrificando. Mas entenda que esse era um sonho da mamãe e ela não quer desistir"... Até que um dia, eu entendi. Entendi que o sonho maior estava dentro de mim, acontecendo. Peguei o avião e voltei para casa.
No aeroporto, o pai do Bento esperava ansioso e encheu mãe e filho de beijos. Ali me dei conta da angustia que Bruno devia estar vivendo com nós dois longe passando por aquela situação. Não era justo mesmo. E com a família reunida, tudo foi se encaixando. A barriga foi crescendo, Bento mexendo e mexendo e mexendo. E esse menino não pára! São 35 semanas com ele aqui dentro, mas a sensação é que ele já está correndo pela casa, tamanha é a participação dele em nossas rotinas mesmo de dentro da barriga.
Bento Guimarães Benjamim. Meu menino tão amado. Não vejo a hora de olhar nos seus olhos para repetir todas as bobagens que conversamos nesses nove meses. Eu e seu pai falamos muito sobre a educação que queremos te dar. A gente pensa que pode te proteger do mundo, quando na verdade você tem que mergulhar nele pra ser feliz. Mas não liga não meu filho, isso é coisa de pai e mãe. Nunca queremos ver o filho sofrer, mas sabemos lá no fundo que o sofrimento faz parte, faz crescer. Fico imaginando como deve ser assistir uma vida surgir assim na nossa frente. Cada passo, cada palavra. Acompanhar, direcionar, aconselhar... Vamos começar limpando, alimentando e, assim, de repente, você já será um homem despertando paixões. E o dia que você se apaixonar pela primeira vez? Eu vou assistir de longe, não quero ser mãe intrometida, mas se você me chamar pra contar, eu vou adorar! Ah, o amor... Essa coisa louca que me aproximou do seu pai, que fez você nascer. Meu menino, um dia você vai entender que esse amor que nos une é a coisa mais importante da vida. E eu e seu pai vamos entender, também, que entre tantas coisas, essa é a que realmente importa te ensinar todos os dias de nossas vidas. Te amo.
Ben Ben
(Bruno Benjamim)
Tem algo novo no ar
Um toque de poesia
Uma nova alegria
Nesse mesmo lugar
Tem algo novo no ar
Que cresce a cada dia
Que nunca sacia
Que sempre me faz chorar
Tem gente que vem
Gente que vai
E tudo me faz lembrar...
Uma fase de tantos sabores
Uma nova rotina de amores
Tem gente que vem
Gente que vai
E isso me faz lembrar...
Uma forma que traz a razão
Qualquer forma perfeita ou não
Bem que me faz
Ben que já é
Bento me traz o bem que me quer
Ben que me faz
Bem que já é
Bem tu me traz o ben que me quer

